Qual o impacto das últimas regulamentações e recomendações ?

A contrafacção de produtos médicos constitui uma ameaça crescente à saúde e segurança públicas. A Organização Mundial de Saúde estima que, nos países industrializados, até 1% dos medicamentos têm probabilidade de ser contrafeitos. Para combater a contrafacção no mercado farmacêutico fragmentado da UE , a Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA ) está a trabalhar num sistema de verificação de produtos ponto-a-ponto, baseado na serialização em massa. A Zetes Globe perguntou a Pascal Longchambon, director da divisão UAS da ZetesInterscan, qual o impacto das mais recentes regulamentações e recomendações.

O sistema da EFPIA baseia-se na serialização. O que podemos entender por isto?

Pascal Longchambon: Neste contexto, “serialização” significa afixar códigos únicos de identificação do produto na embalagem secundária de todos os produtos farmacêuticos. Estão a ser utilizados códigos de barras de duas dimensões, ou Datamatrix, para identificar cada embalagem. O objectivo final é permitir a autenticação ao longo de toda a cadeia de distribuição, desde o ponto de fabrico até ao ponto de entrega, através de um sistema estandardizado e interoperável em toda a União Europeia.

Que impacto têm actualmente as recomendações da EFPIA sobre os fabricantes de medicamentos?

Pascal Longchambon: Apesar de não terem ainda entrado em vigor, as suas recomendações já estão a ter impacto nas linhas de produção por toda a Europa. Com a Turquia e a França a adoptarem a identificação Datamatrix nas embalagens secundárias (a partir de Janeiro de 2011), empresas de outros países com as quais fazem negócios estão a ser forçadas a garantir a conformidade com este novo sistema. Vários países estão actualmente a investigar as possibilidades da identificação e serialização através do Datamatrix, por isso, esperamos um impulso bastante grande num futuro muito próximo.

Isto significa que os clientes têm de implementar um sistema de identificação totalmente novo na sua linha de produção?

Pascal Longchambon: Não necessariamente. Na Zetes, oferecemos duas possibilidades: podemos implementar um sistema totalmente novo, mas também podemos adaptar o sistema existente. Isto significa que fazemos os ajustamentos necessários às máquinas de impressão e aplicação existentes, que já tenham sido instaladas na linha de produção do cliente.

A velocidade da linha de produção será afectada ao implementar uma solução de serialização ou codificação?

Pascal Longchambon: Quando o sistema estiver solidamente integrado com o sistema ERP e bem sintonizado com as características da linha de produção, o desempenho desta última não será afectado. Para dar um exemplo: a solução da Zetes oferece uma capacidade de até 500 embalagens/minuto.

A codificação das embalagens secundárias envolve não só impressão, mas também a verificação e o armazenamento de dados.
É possível garantir que todos estes elementos estarão bem integrados?

Pascal Longchambon: Este tipo de sistema exige, de facto, um vasto trabalho de integração, uma vez que combina vários componentes de software e hardware que precisam de estar todos em sintonia uns com os outros. Dado que a integração de sistemas é a base do nosso negócio, é com orgulho que oferecemos aos nossos clientes uma solução completa. Por exemplo, as nossas soluções oferecem a possibilidade de incluir um selo à prova de violação e etiquetas pré-impressas (por ex., exigido pelo sistema de segurança social em França). Ao responsabilizarmo-nos por todas as fases do projecto, desde a análise, concepção e implementação da solução, até à manutenção e assistência, oferecemos aos nossos clientes a tranquilidade de poderem receber todos os serviços de um só parceiro.

E se um cliente desejar integrar componentes de hardware de um dos seus parceiros actuais (Cognex, Wolke, Adents, etc.)?

Pascal Longchambon: Depende da abordagem do fornecedor de soluções.
Na Zetes, oferecemos uma solução aberta. Graças à nossa abordagem independente do hardware, podemos adaptar a solução aos requisitos do cliente, integrando os componentes que ele escolher.

Muitos fabricantes de medicamentos são empresas globais. E se quisessem optimizar as suas linhas de produção em vários locais da Europa?

Pascal Longchambon: As soluções da Zetes são desenvolvidas pelo nosso Centro de Competências de Impressão e Aplicação 3i, uma equipa de peritos dedicados com extensa experiência nos sectores de impressão e aplicação e etiquetagem. Eles concebem e constroem as soluções, as quais, por sua vez, são implementadas pelos especialistas nacionais locais. Isto permite-nos oferecer aos clientes uma abordagem consistente em toda a Europa, enquanto garantimos assistência e suporte locais.